sábado, 5 de março de 2011

Misericórdia doce


Sei que você não sabe e nem quer saber quantas vezes desejei encontrar-te no meio das suas reflexões, Me infiltrar em suas lamentações. Eu ficaria quieto, invisível, observando de longe para não atrapalhar. Eu queria tanto conhecer o seu sorriso e presenciar os seus momentos de inspiração e abrir as janelas da casa para libertar a fumaça dos meus cigarros que eu jogara fora. Eu queria até aturar a sua fúria e aprender a tolerar os seus vícios que um dia vão acabar matando você. Eu queria, mais do que tudo, poder salvar vc. Mas não tenho forças nem para fazer curativos nos meus joelhos. Eu não vou me curar. Nem você. Acabaremos morrendo de overdose, e ninguém nunca mais duvidará da nossa química. Eu tenho medo das suas histórias e frases e palavras, de cada sílaba. Veio para atormentar-me a vida, preenchendo a minha insônia com sua presença. Talvez algum dia, alguém encontre meus manuscritos espalhados pela casa abandonada e queira me ressuscitar. Mas no vão das coisas cotidianas eu sei que nos preencheríamos. E que a presença do outro seria a certeza de que ainda há algo pra viver. Sou objeto do seu verbo, eu nunca soube conjugar. A sua presença é o que me falta agora. É o que me falta sempre. E se o seu sorriso parar de sorrir pra mim, meu bem, eu nem sei. Irá continuar com suas ideologias, mesmo sabendo que elas irão fazer com que vc construa o seu forte, de areia, despertarás e beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, folhas que nunca serão mostradas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás atravessando madrugadas em tua cama vazia, não conseguirás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato talvez, em alguém, mas sabes, principalmente, com uma certa misericórdia doce, por todos, que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa. Só não saberás nunca que neste exato momento tens a beleza insuportável da coisa inteiramente viva.

7 comentários:

  1. Adorei!
    Belo texto, mocinho!

    Quando puder, dá uma passadinha no meu blog: http://www.entropiadepensamentos.blogspot.com/

    Um beijo!

    ResponderExcluir
  2. lindoooooooo
    vc é abençoado

    ResponderExcluir
  3. nussa, arropiou tdo agora... mtooo bom... caraca, show de bola. Parabéns

    ResponderExcluir
  4. mto bom tony ....parabéns
    mtas coisas ai é vrdade hehe....vc sab mto
    bm disso .....
    beijo0o

    ResponderExcluir
  5. É muito lindo, você ta de parabéns mesmo, a maneira que cada palavra se encaixou simplesmente é perfeita.

    ResponderExcluir